segunda-feira, 6 de junho de 2011
Um anjo banguela
Hoje eu conheci uma pessoa.
Um menino na verdade.
Uma doçura, com aqueles olhos pequenos de cílios enormes e negros.
Ele era lindo.
Sentado, me observava de longe, enquanto eu conversava com a responsável pela casa na qual o mesmo mora.
Um bebê!
Ele cheirava a leite e a carência; à infância e um pouco até de infelicidade.
A inocência imaculada pela linha tênue da ignorância.
Ele me disse "OI" com seu sorriso maroto.
Eu o respondi, com meu olhar mais amável, enquanto me perguntava "Como pode?"
Com um sorriso carregado de ternura perguntei:
- Quantos anos você tem meu bem?
Ele, colocando seu pequeno polegar na boca, respondeu:
- Não sei. As pessoas me dizem que tenho quatro.
- Você é feliz aqui?
Perguntei, usando olhos e sobrancelhas para expressar bem minha preocupação!
- Acho que sim. Não conheço outra realidade.
Ele exclamou sorrindo para a mulher e para mim ao mesmo tempo. O pequeno polegar ainda na boca.
Vendo isso, a mulher com as mãos na cintura e as rugas marcando sua testa alva e protuberante me perguntou:
- Algum problema?
Ao notarmos o engano, eu e meu pequeno amigo respondemos imediatamente.
- Não! Eu com minha mãos espalmadas à frente do corpo e ele se levantando e abraçando, com seus bracinhos gordinhos, a perna dessa mesma mulher.
- Muito pelo contrário! Disse eu, ao ver aquele sinal de intimidade e carinho, do abraço apertado naquela saia azul marinho.
Agradeci a ela pela atenção e com meu aperto de mão mais firme e orgulhoso disse:
- O mundo precisa de mais pessoas como você!
E com meus olhos úmidos me despedi do meu novo amigo.
Ele enfim tirou o pequeno dedo da boca.
Me mostrou um sorriso banguela, no qual a pequena língua ocupava o espaço deixado pelos dois dentinhos superiores.
Acenei!
Ele só me olhou, enquanto soltava a saia azul marinho, voltava o dedo à boca e sentava-se na escada.
Antes de dobrar a esquina vi pela última vez aqueles olhinhos; aqueles cílios negros; aquele polegar na boca, agora com os outros quatro dedos da pequena mãozinha levantados. Ele acenava pra mim!
Eu conheci alguém hoje.
Conversei com um anjo banguela.
Nos vimos e nos enxergamos em uma conversa não-verbal, transcendente, singular. Feita de sorrisos, olhares e polegares.
Sabe aqueles momentos em que se pode sentir o cheiro de Deus?
Eu ainda o sinto em minha roupas.
(Uma história baseada em um encontro real descrita através de uma mente viajante!)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário